segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Teoria dos Media Sociais



Dijck, J.V., Poell, T. (2013). Understanding Social Media Logic. Media and Communication, I (1), 2-14.
O artigo em apreciação neste trabalho, “Understanding Social Media Logic”, da autoria de Dijck e Poell, foi publicado a 12 de agosto de 2013 na revista Media and Communication.
Os autores mencionados, procuraram através deste artigo entender a natureza dos processos de comunicação e informação das redes e a sua influência na vida social.
Poell, professor na Universidade de Amesterdão, na área dos Novos Media e Cultura Digital, tem focado a sua investigação nos Media Sociais e na transformação das diversas formas de comunicação. Dijck, também professora na Universidade de Amesterdão, tem-se debruçado sobre estudos comparativos na área dos novos media.
Ambos os autores, contribuem neste artigo para uma melhor compreensão sobre os processos envolvidos nas redes e os seus efeitos na sociedade atual.
O artigo científico supramencionado, procura analisar os efeitos dos Media Sociais na sociedade, assim como abordar um conjunto de aspetos que se apresentam necessários para uma adequada reflexão e entendimento sobre o conceito e as transformações que o mesmo tem sofrido ao longo dos tempos.
Na última década, os Media Sociais têm influenciado profundamente o dia-a-dia das pessoas, desencadeando uma alteração de paradigma no que diz respeito às formas de interação social, sobretudo no que diz respeito a interações sociais de caráter informal.
Os autores, Dijck e Poell, basearam o seu artigo sobretudo em dois autores, David Altheide e Robert Snow. Estes autores procuraram enquadrar os Media Sociais, num quadro teórico, caraterizado por um conjunto de princípios que “invadem” e “dominam” as estruturas das organizações e as diversas áreas da vida pública. Para os referidos autores, analisar o conceito de Media Sociais implica ter como ponto de referência a dinâmica entre, as plataformas de utilização, os utilizadores, as instituições e os mass media. Como suporte a esta dinâmica encontram-se as normas, as estratégias, os mecanismos e também a economia. Esta dinâmica, chama à atenção para o ponto a que os autores (Dijck e Poell, 2013) pretendem chegar – a Teoria dos Media Logic.
Segundo David Altheide e Robert Snow (1979), na sociedade contemporânea, toda e qualquer instituição faz parte de uma cultura de mass media intrinsecamente interligada, evidenciando-se uma forte influência e transformação nessas mesmas instituições.
Os media sociais pela componente fortíssima de influencia no dia-a-dia de cada individuo, numa abordagem de ligação e interligação em rede, devem ser entendidos de forma diferenciada dos mass media. Esta diferença, se assim se pode dizer, reside em diferentes tecnologias e em diferentes aspetos económicos.
A Teoria dos Media Logic tem possibilitado compreender a disseminação dos media para além das barreiras institucionais, através de quatro princípios e conceitos essenciais: programmability, popularity, connectivity e datafication.
Estes princípios, colocam em relação a lógica da comunicação em massa e de como esta cada vez mais invade todas as áreas da vida pública, como por exemplo a área política, social, económica, entre outros. Em análise, estes princípios são fulcrais para o entendimento de como numa sociedade em rede as interações sociais são mediatizadas através de uma dinâmica entre os mass media, as plataformas sociais e os processos institucionais.
Os princípios, os mecanismos e as estratégias relacionadas com a Teoria dos Media Logic, assentam na perspetiva da interação social, que constitui uma teia de relacionamentos transformadores, com base nos processos, princípios, práticas e formas como as plataformas processam as informações.
Por outro lado, estes princípios permitem perceber como os media sociais estão intrinsecamente ligados aos mass media.
No que concerne ao princípio de Programmability, segundo David Altheide e Robert Snow, este refere-se à tecnologia e à cultura, ao trabalho realizado com os conteúdos de informação, com o objetivo de manipular as audiências. Refere-se assim, a uma estratégia editorial, com base em estratégias publicitárias, nas relações humanas e no ativismo social.
O princípio de Popularity, relaciona-se com a capacidade de medir a popularidade e simultaneamente com a capacidade de influenciar ou manipular informações. Neste sentido os media logic e os mass media, através da sua manipulação, levam à definição da popularidade de assuntos, acontecimentos e pessoas.
Falar de Connectivity, para os autores acima mencionados, é falar de como as plataformas sociais se interligam, num ecossistema no qual convergem os utilizadores. Neste sentido, fala-se de uma abordagem sociológica das redes. Os sociólogos Barry Wellman e col. consideraram que as novas tecnologias dos media, revestem-se de um importante incremento na socialização e no relacionamento humano – Networked individualism.
O princípio de Datafication, de acordo com Viktor Mayer-Schoenberger e Kenneth Cukier, refere-se à capacidade das redes “traduzirem” diversos aspetos da sociedade de forma a dar-lhes forma e a quantifica-los. Este princípio permite dotar os media sociais de potencialidades para desenvolver técnicas no sentido de possibilitar a previsibilidade dos acontecimentos e a análise dos mesmos em tempo real.
A interação entre os princípios mencionados, tem uma profunda implicação na modelação social, pelo que a Teoria dos Media Logic, estudada por Altheide e Snow em 1979, adquire na contemporaneidade relevância na análise das ligações/ interações sociais e de como estas estão implicadas nas redes.
Outros autores têm sido essenciais na compreensão do fenómeno dos Media Sociais, na subjacente teia de interação social e nas implicações nos mais diversos domínios da sociedade, designadamente no domínio político.
A Teoria dos Media, ou a mediatização, tem sido ao longo das últimas décadas um fortíssimo agente de mudança social e cultural.
Segundo Hjarvard[1], a mediatização é um processo de dupla face que implica o incremento da sociedade, no qual por um lado os media emergem como uma instituição independente, com uma lógica muito própria e por outro lado, tornam-se simultaneamente uma parte integrante de outras instituições como a politica, a família, o trabalho e a religião. Para este autor, estaremos certamente perante um conceito importante na Sociologia Moderna, o qual foi destacado por Castells (2001) referindo-se à discussão entre a internet as redes sociais como uma forma de integrar a perspetiva dos media na teoria sociológica. A mediatização é um processo social, o qual emana da relação entre o estudo dos media e da sociologia, como um conceito teórico que se tornou cada vez mais necessário e presente.
Outro autor que se tem debruçado sobre este tema e que por essa via a sua análise é um importante contributo é Landerer (2013)[2], sobretudo no que diz respeito ao contributo da mediatização para a democracia e para a política. Estes autores têm-se debruçado sobre o impacto da mediatização da política na democracia e nos seus valores subjacentes.
Assim, é essencial explorar os mecanismos implícitos entre o sistema político e o sistema dos media, bem como os efeitos dai resultantes na sociedade contemporânea.
Em conclusão, este artigo científico permite-nos analisar de forma mais profunda os aspetos relacionados com a Teoria da Mediatização, bem como a sua relevância para a sociedade atual. Na realidade a mediatização enquanto conceito parece cada vez mais definir-se como algo fulcral nos sistemas socias complexos, quer seja a nível económico, politico, cultural, quer seja ao nível das relações entre os dispositivos e os processos de comunicação.
Mais do que falar de tecnologia, importa falar do conjunto de relações entre processos sociais e processos de comunicação, de forma dialética entre a objetivação e subjetivação.
A mediatização assume uma importante influência na construção social da realidade e das suas representações. É inegável o efeito globalizador e transformador dos media, na sociedade, nas relações sociais e interpessoais. Os media sociais passaram a ocupar um lugar estratégico, redesenhando a subjetividade de cada individuo, das identidades, da cultura e da sociedade em geral, onde todos fazem parte integrante e integrativa de uma teia social implicada num novo contexto espacio-temporal.
Parece-me importante salientar que a Teoria dos Media procura dar respostas e fomentar a construção de explicações inerentes ao comportamento dos indivíduos na sociedade atual, através das redes em que estes estão envolvidos. Por outro lado, a estruturação das redes por meio da análise das interações entre os indivíduos em consonância com as suas motivações, contribui igualmente para uma análise sociológica do comportamento da sociedade atual. Assim é essencial analisarmos os sistemas de relações que se desenvolvem entre os indivíduos, as instituições e as diversas áreas da sociedade.
Atualmente os media sociais são meios e veículos de comunicação e interação, que remetem para uma linguagem simbólica muito própria, para limites culturais e para relações de poder.
Têm surgido nos últimos tempos, padrões organizacionais, que se exprimem através de relações. Relações essas que remetem para aspetos intrínsecos às interações sociais, politicas e económicas. Trata-se certamente de novas formas de pensar e de conceptualizar a realidade social e contemporânea.
A análise e estudo dos efeitos dos media sociais possibilita uma compreensão em perspetiva, das relações entre os indivíduos. Permite ainda um mapeamento da sua conetividade, coesão e frequência de interações, contribuindo para a descodificação da complexidade da estrutura social.



[1] Hjarvard, S. (2008). The mediatization of society. A Theory of the media as agentes of social and cultural change. Nordicom Review, 29, p. 105-134.
[2] Landerer, N. (2013). Rethinking the logics: a conceptual Framework for the mediatization of policy. Communication Theory, 23, p.239-258.

Sem comentários:

Enviar um comentário